31 de dezembro de 2010

Feliz 2011!

E porque é mais fácil identificarmos aquilo que não queremos, eis uma lista de coisas que não vou fazer/ser/ter/sentir em 2011: fazer promessas; fazer fretes; conhecer a Austrália; ir ao Optimus Alive; mudar de casa; sentir pena; fazer resoluções de ano novo; fazer ser calimero; mudar de namorado; ser vegetariana; fazer horas extras; ameaçar que deixo de fumar; ter medo; acabar com o blog; destratar colegas de trabalho; mudar de carro; fazer-me ser lamechas; dizer mal do Cavaco Silva, mesmo se ele ganhar as eleições; escrever post´s sobre o acordo ortográfico de 1990; tornar-me activista ambiental; baixar-me; mostrar o cu e as unhas dos pés; perder o desejo; queixar-me da vida e de mim e da culpa da vida em mim e da minha culpa na vida; matar gente e animais; fumar droga; ter sentir preconceito; casar; emagrecer; comer ovas; baixar as armas; e fazer promessas, acho que esta já disse; e deixar de vos desejar um ano novo cheio de felicidade. Feliz 2011!

28 de dezembro de 2010

New York, I Love You

Eu gosto da passagem de ano, e gosto de festas em geral. Adoro locais com muita gente, em grande exteriorização de emoções, como por exemplo concertos de música. Já tentei fazer o mesmo raciocínio para tentar gostar de ir ao centro comercial, ou somente para ganhar coragem para ir a um supermercado, mas não resulta. Também não participei na greve geral, mas foi por outros motivos que não vêm ao caso. Isto para vos dizer que sempre que me perguntam onde é que gostava de passar a grande noite, a minha resposta é que gostava de passar na rua. Gostava de passar em NY, em Paris, em Londres, em Praga, em Roma, mas também podia ser em Lisboa ou em qualquer outra cidade do país. A verdade é que não convenço ninguém que amo para cometer tal proeza, vá-se lá saber porquê. Também é por essa razão, que a única tradição de ano novo que ainda não quebrei foi ir à janela, quintal, ou porta da rua dependo dos locais onde estou, assistir ao barulho que se faz após as 12 badaladas. Adoro o barulho da alegria e da euforia, sim eu sei, eu sei que é meio estranho. Houve um ano que convenci o corajoso, que estava cego de paixão, e passei a meia-noite no Terreiro do Paço. Para além da observação sociológica de tal acontecimento, e embora tenha aberto a garrafa de espumante antes da hora, o que explica em grande parte todos os meus acontecimentos de vida nesse ano que entrou, a experiência foi positiva o suficiente para continuar a desejar passar o ano na rua. Mas, embora goste de assistir a manifestações de emoções e afectos dos outros, gosto principalmente de participar nas manifestações de emoções e afectos daqueles que amo e, na hora da escolha, fico com eles.

Desejos, tem tudo a ver com desejos

Se não desejares, morres por dentro. A minha amiga D. está entusiasmadíssima a organizar os festejos da passagem de ano e, como se não bastasse tamanha tarefa, já me arranjou pelo menos mais duas festas para Janeiro de 2011. O entusiasmo é tão grande que aproveita todos os telefonemas de boas festas para combinar um fim-de-semana fora de Lisboa. É uma exagerada, digo eu. És uma engonhada, está a fluir, diz ela. Ela gosta de ver as coisas a fluir. E a vida divide-se precisamente entre quem gosta da preparação, de ver as coisas fluírem, e entre quem só se interessa pelo resultado final. Por esta razão, e por outras razões, é importante que não faltem as passas na grande noite, e que não faltem os desejos no ano inteiro. Poucas pessoas entenderam quando disse, em meados de Dezembro, em jeito de resolução de ano novo, que ia mudar de vida; e à pergunta “o que vais fazer de novo?”, respondi com “vou comprar uma mesa extensível para a sala de jantar”. Na vida, como num grande jantar de amigos, que nunca falte o prazer da escolha dos ingredientes, do tempero, da confeição e da confecção, que nunca falte o prazer da preparação da mesa; e, mesmo que no final o cozinhado não corra assim tão bem, que fique sempre o grande desejo de haver mais e mais.

21 de dezembro de 2010

14 de dezembro de 2010

liberdade, ai a liberdade

Uma Sra. tentou enganar a minha colega de trabalho. Resumindo, cometeu pelo menos um crime que consigo identificar, plágio. Claro está que tentar enganar alguém que está a trabalhar também deve ser crime, só não sei o nome. A Sra. não compreendeu o nosso ponto de vista, não consegue compreender porque é que plágio é crime, e nem consegue compreender porque é que a minha colega se sentiu enganada. Eu sei como a Sra. se sente, eu também acho isto tudo normal, estamos no Sec. XXI, temos internet, e já perdi a conta a quantas vezes eu vi e ouvi falar de um senhor que violou a privacidade de várias pessoas e instituições, mas que parece ser aclamado como um Robin Hood da Diplomacia, um impulsionador da Democracia, e pior, sim, muito pior, um defensor da liberdade de expressão.

Viagem, ou viagens

É um dos meus desejos para 2011, uma viagem, várias viagens, muitas viagens. E nem de propósito, recebo um e-mail com esta maravilhosa aterragem em Lisboa.

Paz no mundo também não vale

Sugeriram-me a elaboração de uma lista de 12 desejos para 2011, não materiais, que não se traduzam necessariamente na aquisição de bens materiais, e olha que não é tão fácil como parece. Mesmo podendo incluir viagens, sim, as viagens podem ser incluídas porque embora sejam físicas têm como objectivo alimentar a alma. Pode também ser incluído a formação pessoal, ou neste caso, aumentar a formação pessoal/profissional. Experimentem lá. Ou então não. O objectivo é só alertar-vos (ou chatear-vos, depende), nesta época natalícia.

10 de dezembro de 2010

Ainda bem que já é sexta-feira

Ela disse: Zona pélvica aos pulsos











Eu percebi: Zona pélvica aos pulos

7 de dezembro de 2010

Sobre a (in)coerência (in)terna

Não chames a ti própria nomes feios se desejas que os outros te chamem o contrário. Primeiro, as pessoas saudáveis que te rodeiam não compreendem comunicações disfuncionais, ficam-te a sobrar as outras.  Segundo, corres o risco de tu própria acreditares. E, se tu própria acreditares, passa a ser uma verdade absoluta.

6 de dezembro de 2010

viva a crise

Os nossos vizinhos estão-se a passar. Primeiro uma campanha em que apelam ao voto, comparando o acto com o prazer do orgasmo. Agora decidem levar a cabo uma campanha, lançada na semana da luta contra a sida, a incentivar o uso do preservativo, afrontando directamente a igreja. O que virá a seguir? Só faltava colocarem o Cristiano Ronaldo em trajes menores num outdoor.

3 de dezembro de 2010

Resoluções de ano novo, ou não cometer duas vezes o mesmo erro é sinal de inteligência

Gosto sempre de fazer a retrospectiva do ano, esta época presta-se a essas coisas. Na última passagem de ano, bebi um bocado demais, repeti o mesmo desejo doze vezes enquanto engolia as doze passas. A coisa não correu muito bem, grande parvoíce, é por isso que são doze passas e não é só uma. Pede-se doze desejos para podermos diversificar, aumentar as hipóteses de pelo menos um se concretizar ao longo dos doze meses seguintes. E eu, armada em esperta, gulosa, pedi doze vezes o mesmo desejo. Realizou-se, mas depois fiquei sem mais nada.

Sexo é a única actividade em que estamos concentrados

“A nossa vida mental é invadida a um nível considerável por quem não está presente,” excepto durante a actividade sexual – revela um estudo de uma equipa de investigadores de Universidade de Harvard publicado esta semana na revista Science.
Eu ando com algumas dificuldades de concentração no trabalho, e tenho tanto mas tanto para fazer, e há ali um colega que até é jeitoso, será que devo? Será que os meios justificam os fins? Será esta a única forma de colocar o meu trabalho em dia? Os cientistas dizem que sim, e eu acredito na ciência.

2 de dezembro de 2010

Adoro o Natal

Ao contrário da maioria das pessoas não fico deprimida no Natal, não fico nostálgica, não fico com vontade de fazer compras nem de oferecer presentes. Fico com vontade de matar toda a gente, principalmente nos maravilhosos feriados que caracterizam a época. Tornam um dia normal num inferno, não se pode ir às compras, nem para comprar bens essenciais como papel higiénico, os trajectos mais simples e curtos tornam-se num inferno mesmo não estando tempo para ir à praia. As pessoas ficam mais mal-educadas, menos respeitadoras, e o bem comum torna-se num pacote de leite, de arroz, numa garrafa de óleo, ou qualquer outro alimento que tenha um prazo de validade mais ou menos longo. Locais como os parques de estacionamento dos shoppings, filas de supermercado, e outros locais afins, tornam-se um espaço privilegiado para analisar as virtudes que desabrocham nesta época natalícia.
Mas, pelo menos isto, parece-me que este ano bateram-se recordes.

29 de novembro de 2010

Não deixem de observar os sinais

Está tudo escrito nos sinais...recebi por email e decidi partilhar. Para não engravidar e não só. E também porque está a chegar o dia 1 de Dezembro, aproveito para antecipar a comemoração.

26 de novembro de 2010

mudando de assunto

It takes courage to be
True friendship demands risk: giving someone something which they could humiliate you with. Writing as friendship. Alain de Botton


É que parece que foi escrito mesmo para mim.

25 de novembro de 2010

sobre o tempo

Eu prefiro pensar que o tempo não falta, assim como não se gasta, nem se perde, vive-se. Assim, enquanto houver vida, o tempo vive-se. Bem, de preferência.

Eu interajo, tu interages, nós interagimos

Há quem leve os blogs muito a sério. Mas isto é puro entretenimento. Tem dias que até parece uma produção da TVI. Há melhor maneira de alienarmos o nosso tempo do que navegar por aqui, ler o que de tão importante os outros têm para dizer, reflectir sobre os temas profundos ou não, deixar que um pouco de nós transpareça através da partilha, e que o tempo passe? Eu gosto de falar sobre o tempo, aquele que passa por nós, e também sobre outros assuntos. Sei o poder que as palavras ganham depois de proferidas, faladas e escritas, por isso não me canso de falar e escrever com os outros. Com vocês. De interagir com vocês.


interação
s. f.
Sabia que? Pode consultar o significado de qualquer palavra abaixo com um duplo clique. Experimente!
interação (àç)
s. f.
1. Influência recíproca de dois ou mais elementos.
2. Psicol. Fenómeno que permite a certo número de indivíduos constituir-se em grupo, e que consiste no facto de que o comportamento de cada indivíduo se torna estímulo para outro.
3. Fís. !Ação recíproca que ocorre entre duas partículas.
Fís. !interação forte: a que tem um curto alcance e que é responsável pela estabilidade do núcleo atómico
Fís. !interação fraca: a que ocorre entre leptões.
http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=interação

23 de novembro de 2010

síndrome de operária fabril

Neste momento estou a sofrer da síndrome de operária fabril. Nada contra a profissão que simbolicamente escolhi para manifestar uma ideia, mas sinto-me como se vivesse no final do século XVIII. Após a migração para residir perto do local trabalho, a instalação no meu cortiço, só me resta trabalhar. Ainda bem que quarta-feira é feriado, sempre dá para descansar um pouco.

17 de novembro de 2010

Entre um beijo e outro beijo

- Eu tenho um gosto especial pelo lado negro da condição humana.
- desculpa, mas não te vou acompanhar nisso.
- o que eu queria dizer é que gosto de pessoas diferentes.
- não te quero abandonar, mas não vou compactuar com isso.
- vou explicar: quando conheço uma pessoa foco-me nas coisas menos boas da personalidade.
- achas que podias gostar de um criminoso?
- provavelmente não. Mas não é mesma coisa.
- é exactamente a mesma coisa. Não irias gostar de alguém que cometesse um crime porque está fora dos padrões que tu estabeleceste como os teus.
- mas o que eu queria dizer é que se conheço uma pessoa, o que me cativa é o que ela tem de diferente.
- nós gostamos daquilo que construímos como o nosso referencial de interesses e de valores. Não ias gostar de alguém que fizesse mal a ti ou aos outros?
- não estás a perceber. Por exemplo, conheci o que se pode chamar de uma “regular person” que a única coisa que tinha de diferente era gostar de pescar à beira-mar sozinha. Eu fixei-me na ideia “o que leva uma pessoa a ir pescar sozinha? O que será que pensa quando está a pescar?” e ignorei qualquer outra qualidade que pudesse ter. O meu interesse passou a ser o descobrir o que leva uma pessoa a ir pescar sozinha.
- já alguma vez foste pescar à beira-mar sozinha?
- não, nunca.
- Já experimentaste perguntar porque é que essa “regular person” vai pescar à beira-mar?
- não.
- mas sabias que existem muitas pessoas que pescam sozinhas? E também há quem jogue golfe, corra, pratique surf, btt, etc., e não revele dessa forma o lado negro da personalidade. Acho que precisas de rever uns conceitos.
- sim, era só um exemplo, mas o que eu queria dizer era…
- que não gostas de “regular persons”?
- isso mesmo.
- mas devias, assim elas iam gostar de ti também.

16 de novembro de 2010

Probabilidades

Pensar nas probabilidades. É um pouco estranho pensar assim, é como ter a possibilidade e não fazer só porque não sabemos se vai resultar. Isto aplica-se a tudo na vida. A previsão só existe porque há a possibilidade do erro, pela probabilidade de haver uma escolha diferente. Eu faço previsões só pelo facto de saber que existem possibilidades diferentes. Então, qual é a lógica de não fazer? De ficar à espera para ver o que vai acontecer? Ou vou mudar o destino? Mudar o destino, mudarmo-nos a nós, e mudar o que está à nossa volta. Não é fácil, está cada vez mais difícil. Eu faço e aconteço, eu escrevo e digo tudo o que deve ser feito, e não ajo. Tenho que agir, para depois contar como foi. Estou com verborreia de pensamento, quando deveria de ser de atitudes. Quem escreve seus males espanta, assim como quem canta, e assim como quem dança. Já vos tinha contado que sou apaixonada por dança?

11 de novembro de 2010

Medo

Acabaram de me dizer que a pior guerra é a que se trava sem medo. Sim, faz sentido. O medo faz-nos parar, pensar, delinear estratégias, e pensar em nós e nos outros. Só que às vezes é tarde demais, por medo não se ganha nem se perde, simplesmente não se participa. E isso não é bom, é aborrecido.

9 de novembro de 2010

Já há muito tempo que não colocava por aqui uma música e hoje lembrei-me que se tivesse que escolher uma banda da minha vida, hoje, hoje escolhia esta. E foi várias vezes a banda sonora da minha vida.

8 de novembro de 2010

A interpretação dos sonhos

Passei a noite a sonhar que estava a ser mordida no pescoço por um urso. Será que ando a ver demasiado National Geografic channel? Ou será simplesmente um sinal que hoje tenho que estar bem alerta na multidão e proteger-me de algumas pessoas? E escusam de vir para aqui dizer que os sonhos são desejos recalcados, porque isso é tudo mentira. Se assim fosse eu tinha tido uma noite mais animada, de certeza que tinha.

5 de novembro de 2010

Faz festas, a ver se cresce



Eu adoro massagens, daquelas tipo palpação ou apalpação também, com força e mais ao de leve, festas é que não. A única parte que cresce quando se faz festas eu não tenho. E não sou uma lâmpada mágica. A lâmpada mágica do Aladino tinha um efeito especial quando lhe faziam festas, saía um génio que satisfazia desejos. Mas eu não. Por isso mesmo, por essa razão, e por outras, massajem-me o ego mas não me façam festas que aqui dentro nada cresce. É que nem a admiração cresce assim.

1 de novembro de 2010

Novembro rima com não me lembro

Voltei devagar e vou tentar não fazer muito barulho. É que ando muito sensível a estímulos exteriores. Não gosto do mês de novembro. Estava a pensar que novembro era aquele mês que não há nada que lhe associe. O dezembro, mês do natal e prenuncio do novo ano. Janeiro, o mês de grandes transformações e projectos, até chegar fevereiro que é o mês mais pequeno, o do esquecimento, e que ninguém leva nada a mal. O mês de março é o início da primavera, o de abril o da revolução, e juntamente com maio, mês da nossa senhora e não só, começa a vontade de sair à rua, tirar a roupa, passear. Em junho começa a época balnear e a contagem decrescente para as férias. Julho é o mês de preparação, da pele queimada, e começa a rambóia que culmina no final de agosto. Setembro é o meu mês. Em outubro começa-se a sentir o outono, e este ano parece que também o inverno. Agora o novembro, o novembro não me diz nada.

19 de outubro de 2010

take us to ipod touch

Já por aqui falei no plano de combate contra a crise que se instalou. Vem aí a fome, mas quero que a criatividade nunca acabe. Isso nunca. Porque pior que a crise financeira instalada, só mesmo a crise social que se adivinha. Já divulguei por aqui outros desejos, de várias pessoas, chegou o momento do desejo do Prezado. A verdade é que ele perdeu um iPod Touch que serve para fazer desenhos e não dá para fazer chamadas. Confesso que não faço ideia do que ele fala a maioria das vezes sobre isso (e também sobre outras coisas), mas se ele quer e não pode ter e quer ajuda, aqui tem a minha.
Vão lá e mostrem a vossa solidariedade. A mim podem continuar a enviar-me postais.
Sabem aquelas pessoas que falam, falam, mas na hora h não fazem nada?
Sou eu. Mas é só hoje.

11 de outubro de 2010

Plano de combate

Tenho andado afastada, a pensar nas medidas de austeridade. Elaborei um plano de combate a estas novas medidas anunciadas. Vou começar por deixar de tomar o pequeno-almoço no café, também ando um pouco farta de meia-de-leite e pão com queijo. Vou tentar acordar mais cedo e fazer o percurso até ao trabalho sem ultrapassar o limite de velocidade estabelecido, logo vou poupar em gasolina (esta tem que ser “tentar”, pois tenho consciência das minhas limitações). Vou começar a levar almoço para o trabalho, esta medida já tinha sido por mim anunciada há algum tempo, mas agora é de vez. E, está directamente relacionada com a próxima, jantar todos os dias na casa dos pais e levar o almoço para o dia seguinte. Eles dizem que não percebem o que está acontecer, era suposto o número de pessoas por metro quadrado diminuir lá em casa, mas está a aumentar e exponencialmente; a pensão estrelinha passou a casa de pasto. Relativamente aos fins-de-semana, vou apostar nas actividades culturais gratuitas e há muitas (se quiserem eu dou umas dicas e dedico um post só a isso). Vou jantar ao indiano baratinho das Portas de Santo Antão e exceder-me apenas no vinho. Cinema uma vez por semana e sacar os restantes filmes da net (só até saírem em dvd, claro). De resto, o trivial, manter as luzes apagadas, tomar banho uma vez por semana… sim, eu sei que não têm nada a ver com isso, mas a crise chega a todos e é bom que a solidariedade se comece a manifestar desde já. Aceitam-se sugestões.

28 de setembro de 2010

Muita parra e pouca uva

O ser humano é fantástico, e já foi o melhor cultivo de produção biológica. A uva também. A uva é um dos frutos mais antigos, dos que são conhecidos. Eu acredito, e constato todos os dias, que há coisas que não conhecemos. Se fossemos videiras bastaria colocar uma estaca e deixar a natureza fazer o seu trabalho, chegar alto, e no final poderíamos dar um bom vinho ou simplesmente muita parra e pouca uva. Nós somos um pouco mais complexos, de um momento para o outro, os sentidos enganam-nos, o preto passa a branco, a atracção passa a repulsão, o bom passa a mau, o doce amarga, a certeza passa a incerteza, as necessidades alteram-se. E é na pele, sente-se na pele. Acaba sempre onde começou. Celebramos a natureza como a vemos, imaginando que a celebramos como ela é, e bebemos um copo de vinho. Esquecemos o entretanto, esquecemos os meios. E fazemos um brinde. À nossa!

27 de setembro de 2010

Pensamento profundo para a semana

Tudo o que entra sai. E é assim que vou começar a minha semana. Acordei leve e com a certeza que num sistema aberto que sou, tudo o que entra sai. Não há trabalho, vicissitude, que fique por aqui. Merda! Se for tudo, mesmo tudo, confirma-se, não há bela sem senão.

22 de setembro de 2010

Eu não sou um rato, mas com choques eléctricos era mais rápido

Ando a sentir-me muito entediada. Ando com tanto tédio que até já fui ao médico. Este disse-me que ninguém morre de tédio. Acenou-me com uma anestesia geral, mas disse-me que dormir por tempo indeterminado está fora de questão. Eu sei que este tempo pós férias demora sempre a digerir e a entrar no ritmo, mas não me parece o caso. É um problema que está a tornar-se crónico. Está a tornar-se, mas não vai conseguir que eu não deixo. Descobri que, para além de acontecer no trabalho, a procrastinação pode assolar outras áreas da vida. Eu detesto pessoas inertes, quer intelectualmente falando, quer no sentido físico do termo. Sendo assim, não me resta outra alternativa, uma vez que dormir por tempo indeterminado está fora de questão, só me resta mexer. Quem espera sempre alcança, mas eu já não acredito em provérbios populares. Todos sabemos que parar é morrer, e que morrer é o contrário de estar vivo. A rotina mata. Todos devíamos fazer uma coisa nova diariamente, conhecer um sítio, uma pessoa, um sabor, uma música ou simplesmente olhar para um sítio, uma pessoa, um objecto, de forma diferente. A receita não sei bem qual é, mas uma coisa vos posso dizer: todos falam do Pavlov mas foi o Skinner que percebeu como a coisa funciona. Tentem lá realizar todas as sugestões anteriores no vosso dia-a-dia sem um reforço positivo, ou negativo para os mais pessimistas, e digam-me se resultou. Garanto, sem reforço positivo não resulta.

21 de setembro de 2010

Paulo Bento?

Já que andam todos a dar palpites sobre o novo seleccionador nacional, aqui vai a minha opinião fundamentada.
Eu sei que o Mourinho é português e tal, mas está em Espanha. ...o Ronaldo é português e também está no Real Madrid. Eu sei que o Barcelona é o maior rival do Real Madrid e tal...
Então, e por razões óbvias, eu quero o Guardiola para seleccionador nacional!

13 de setembro de 2010

No carrossel

Pai: por amor de deus, acelera!
Eu: ah?
Mãe: não estejas a incentivar a miúda a andar com velocidade!
Pai: o carro está todo atrofiado, tens que esticar as mudanças.
Eu: esticar como? Até fazer barulho?
Pai: por amor de deus, que totó, até às 4000 rotações…
Eu: estás a brincar? Enches tu o depósito?
Pai: Assim, atrofiadíssimo, o carro gasta o dobro. Se fosse eu a conduzir já íamos a 180 km/hora.
Mãe: tu és muito bom! Não estejas a incentivar a miúda a andar depressa.
Pai: antigamente eras uma acelera, deste-me cabo dos carros todos. Lembraste de partir a embraiagem? E quando te despistaste e partiste o cárter e quase fiquei sem carro? Agora coitadinha estás assim. Parece que vais ter é que substituir os travões…
Eu: coitadinha? Ah? Queres levar tu o carro?
Mãe: acelera! Ainda estava amarelo!
Eu: mãe! Estás a incentivar-me a passar sinais vermelhos?
Mãe: estava amarelo, quer dizer passar depressa…
Eu: espero que estejam a brincar comigo…

10 de setembro de 2010

Aprender à força

Inspirada nas tantas crianças que neste momento preenchem a minha vida, ando a aprender todos os jogos infantis, músicas da pequenada e até séries televisivas. Ao que parece as séries televisivas são um dos maiores divertimentos de hoje em dia, para todas as idades. Nas minhas fantasias infantis encontro jogos como o futebol humano, macaca, elástico, congela, escondidas, entre muitos outros. E não incluo aqui a sueca, porque foi mais tarde, fica mal e eu quero dar o exemplo aos mais novos. Na minha pesquisa fiquei meio apreensiva com o jogo do toca e foge, pela semelhança com os jogos da vida adulta. Este não é um jogo que me traga grandes recordações, faz-me lembrar os xutos e pontapés e isso é bom. Para quem não se lembra ou não conhece, o jogo consiste em basicamente nos aproximarmos de alguém, tocar, e fugir em seguida sem ser apanhado. O toque varia de intensidade e de local do corpo consoante a veleidade de cada um. É um jogo que requer alguma destreza física e inteligência e é bom para quem gosta de jogar de costas viradas para os outros e para brincar com crianças que ainda não aprenderam a andar, pois ganhamos sempre. Na minha luta por me tornar uma melhor educadora percebi que, como em tudo na vida, temos que nos adaptar aos tempos modernos. Não vale a pena tentar qualquer aproximação e atenção de uma criança se não souber de trás para a frente todas as músicas de todas as séries que passam no canal panda e afins. Esqueçam Hans Christian Andersen, talvez mais tarde e depois de ganharem a atenção cheguem lá.

7 de setembro de 2010

silly season

Agora que o verão está a acabar, que a rotina está a instalar-se com a mesma velocidade, concluo que as consequências da meteorologia não são causa-efeito. Eu questiono-me, e não consigo compreender, porque é que chamam à época que está a acabar de silly season se as pessoas são as mesmas ao longo do ano!? A culpa é sempre do tempo...

3 de setembro de 2010

A luz acesa tira o enigma, com a luz apagada não se vê nada, o lusco-fusco é o que me dá mais gozo.

Sobre o tema livre desta semana para a fábrica de letras, a única coisa que me veio assim à cabeça foi liberdade. Que original. Liberdade de expressão em particular. E se assistimos, vezes sem conta, a discussões sobre o assunto, principalmente através da comunicação social! A liberdade de expressão é o direito de manifestar livremente opiniões, ideias e pensamentos. Então porque é que escolho tanto as palavras, as ideias e os pensamentos que partilho por aqui? Porque é que assisto há 4 anos, é verdade já ando nisto há 4 anos, a pessoas que partilham connosco as consequências de expor desta forma o que pensam, que terminam blogs porque não aguentam a pressão e que chegam a ter problemas na real life? Porque a liberdade de expressão, no que diz respeito ao que se escreve no blog, para mim, é directamente proporcional à resistência à frustração de cada um. Eu sei que este assunto é um pouco mais complexo que isto, mas sempre que abordo por aqui um assunto mais difícil de gerir é uma ideia que tenho sempre em mente. É claro que já me arrependi de ter quebrado o anonimato, que confundi real life com real live, que disse coisas que “não são bem assim”, e também comecei a utilizar as etiquetas de propósito só para confundir mais, mas a verdade é que gosto mesmo disto.

2 de setembro de 2010

Só mais 5 minutos

Já utilizei esta estratégia uma vez e não resultou. Basicamente, resume-se a começar a escrever numa folha em branco tudo o que me vem à cabeça. Tem como objectivo o disfarce, mas também o treino para começar a trabalhar a sério. Quem olha, parece que estou a trabalhar, a escrever o mais elaborado dos relatórios e o parecer mais assertivo dos últimos anos. Mas não estou a fazer nada disso, estou simplesmente a escrever estas parvoíces para partilhar com vocês. Durou 5 minutos e eu não escrevo muito rápido, não tenho muito a dizer.

Sou eu que estou fascinada ou isto é mesmo muito bom?

1 de setembro de 2010

Um dia vou vender tudo o que tenho e vou viver para a praia. Espero que nesse dia consiga dar mais valor e compreender melhor a importância dos bens materiais. Hoje, não estou a conseguir.

30 de agosto de 2010

Acordo ortográfico

Hoje, voltei a ter inspiração para escrever. Não, não é um caso de amor. Ainda não é. Dizem que pode começar com o sentimento contrário, se assim for talvez se venha a tornar. Mas a verdade é que se a paixão desperta os sentidos, logo desperta também a inspiração, o contrário da paixão também. Procurei antónimos da palavra paixão e encontrei tantos que não me decidi a escolher, na sua maioria eram antónimos de outras palavras também. Este é um problema da língua portuguesa. Alguém me dizia que é mais fácil compor música em inglês por essa mesma razão. Mas não concordo. Fui ao tradutor do Google e ele deu-me estas palavras, sinónimos de paixão:
1. passion
2. Passion
3. love
4. infatuation
5. flame
6. zeal
7. fire
8. ardor
9. glow
10. craze
11. mania
12. addiction
13. vehemence
14. rabidity
15. love-sickness
Ou seja, se em inglês expressam a paixão sempre da mesma forma é por falta de imaginação e não de palavras.
Eu gosto mesmo é da expressão “fancy”, mas isso são outros assuntos. É verdade que em inglês são mais redutores quando o tema é “passionless”.
No entanto, resta-me a esperança que as bandas nacionais e o povo em geral, com o novo acordo ortográfico (que embora não diminua o número de sílabas das palavras, diminui o número de letras), se inspirem para expressar o que sentem em português. Porque até não fica mal, eu acho.

25 de agosto de 2010

Ficção científica

Há em mim uma contradição entre a vontade do uso do espartilho e o desejo de ir à lua. Embora não seja grande fã de ficção científica, dá para perceber que o admirável mundo novo povoa o meu imaginário. À medida que o tempo passa em mim, continuo sem a necessidade do uso do espartilho e afasta-se, cada vez mais, a probabilidade de ir à lua. Resta-me esperar pelo carnaval para poder, sem olhares de desdém, encarnar estes meus desejos. Ainda assim, vou fazendo uso da imaginação e procurando testar os limites desta realidade. E não é difícil, basta observar com atenção para perceber que a nossa sociedade não está assim tão longe da sociedade burguesa do século XIX e que embora não possa ir à lua tenho os recursos suficientes para me sentir por lá. Vejam só: http://avl.astrotips.com/.

12 de agosto de 2010

Às vezes ando tão distraída a pensar em aviões que me esqueço da existência dos comboios regionais.

2 de agosto de 2010

Uma longa viagem - Fábrica de Letras

Chega a uma altura em que iniciamos uma viagem de encontro aos nossos pensamentos. Nesse dia afundamo-nos na vida, no momento presente, no aqui e agora, na oportunidade única, que não se repete. Os momentos não se repetem. O aqui e agora acontece em qualquer lado. Não há tempo para descansar, o dia e a noite desaparecem, perduram apenas num perfume que se dispersa. Num momento tudo muda, para sempre. Sempre que procuramos coisas novas, desconhecidas, de uma forma confiante e também vulnerável, a vida torna-se na maior aventura. Eu gosto de aventuras. Parece-me que afinal os sonhos não são desejos recalcados. Se fossem, eu não andaria a sonhar com tamanhos despropósitos. É que no admirável mundo novo nós só teríamos duas hipóteses, neste temos mais. Temos tantas hipóteses que nos damos ao luxo de experimentar várias delas. Quais regras ou valores sociais. A procura da Felicidade Máxima vai-se encontrando nos pequenos momentos. E a única forma de compreender isso será com o coração e jamais com a razão em palavras ditas ou escritas.

29 de julho de 2010

Minde the Gap, ou as mães têm sempre razão

Pode ser um acumulado de experiências, pode ser um fenómeno paranormal, pode até ser apenas um desejo que assim seja, mas as mães têm sempre razão. Custa-me escrever isto. É uma espécie de solução mágica em que não se pode acreditar. Uma pré-determinação, quase uma praga. Talvez seja por esta razão que ando a tentar fugir de casa desde os 14 anos, e que hoje em dia continuo a ir lá jantar frequentemente.
A situação geralmente piora quando a mãe pede conselhos ao Pai, que é homem, logo não possui a capacidade de ler as entrelinhas. O pai tem a visão deturpada por uma paixão cega pela filha, que Freud explica ou não, que invalida qualquer conselho. Por isso, a razão da mãe que falo prende-se com o primeiro conselho que a mãe dá ao avaliar uma situação exposta. No dia seguinte, geralmente, já não vale a pena ouvir os conselhos.
A mãe tem sempre razão no que diz, nem que seja pelo desejo de felicidade plena da filha que se traduz na dela própria. E acerta sempre. Neguem, esperneiem, fujam, façam exactamente o contrário do que ela diz, mas a mãe tem sempre a verdade, a certeza, a razão. É claro que a linguagem utilizada é codificada, traduzida por símbolos, assim como a linguagem dos sonhos. São os nossos desejos escondidos ou não, pelo consciente ou pelo inconsciente, que não conseguimos verbalizar ou que gritamos aos sete ventos. Por isso, e como nos sonhos, a mensagem nem sempre é percebida e terá que ser interpretada à luz da nossa realidade, das nossas crenças, dos nossos desejos. Assim, o que serve para mim não serve para vocês. Ou seja, este post não tem utilidade nenhuma para além do prazer que me dá a mim escrevê-lo.

28 de julho de 2010

27 de julho de 2010

Debaixo de que pedra é que tu saíste?

- Diz-me sinceramente, preferes uma mulher histérica ou introspectiva?
- Ah? E o meio-termo não pode ser?
- O meio-termo é uma chatice. Cada vez estou mais convencida que os homens gostam de mulheres histéricas e com problemas.
- Sempre temos a sensação que estamos a ajudar. De psicólogo e de louco todos temos um pouco.
- Ah! Não acredito que tenhas dito isso.
- É o que é preciso para agradar às mulheres.
- Sim, mas deve haver excepções, nem todos os homens gostam de mulheres histéricas e com problemas...
- Sim, claro que há. Mas não te preocupes muito com isso. Como amigo, devo alertar-te para o facto de já teres estado mais longe.
- Mais longe de quê??

23 de julho de 2010

Disparou - Fábrica de Letras

Disparou
em todas as direcções para ver se acertava.
Disparar em todas as direcções é mais fácil. Aumenta as probabilidades de acertar, pode ser no nada, mas aumenta.
Quem disse que escolher um alvo era mais fácil!? Não. Não ter um alvo aumenta a probabilidade de não falhar, pode ser no nada, mas aumenta.
Por isso, e por nada, disparou em todas as direcções para ver se acertava.




16 de julho de 2010

O amor é lindo!


Descobri aqui e é para divulgar!

Reciclagem

No meu trabalho fazemos separação de lixo. Tu vais para ali, tu vais para ali, e tu vais para ali. Agora, aguardamos o pessoal reciclado. Quanto ao papel, toners e afins, mandamos para o lixo indiferenciado. A funcionária que recolhe o lixo é daltónica, não sabe distinguir as cores. Está a trabalhar ao abrigo do programa de emprego apoiado, para o ano não está cá, não vale a pena ensinar.

15 de julho de 2010

Liga!

Estou desejosa que comece o campeonato nacional de futebol, já não aguento as notícias sobre a crise e sobre políticos corruptos.

29 de junho de 2010

Ando com uma sensação estranha

Ando com uma sensação estranha. Sempre que vou à praia apetece-me nadar até à América. Pensei que o problema fosse da Costa da Caparica mas já tomei banho mais a sul e a vontade mantém-se. Embora não saiba nadar muito bem, consigo boiar durante muito tempo. Eu sei que nunca fui muito boa a medir distâncias e que a América é longe, mas apetece-me tentar. Com um pouco de sorte e com a ajuda das correntes, não chego à América mas vou conhecer Marrocos. É assim que ocorrem as grandes descobertas, por acaso e quando andamos à deriva. Agora que o Verão chegou com toda a força parece-me a altura indicada para me meter na água, nadar e boiar, e ver até onde consigo chegar.

25 de junho de 2010

Força Portugal!

Tenho um texto escrito a dizer mal do campeonato do mundo de futebol e da selecção portuguesa desde que isto tudo começou, mas ainda não é desta que ganhei coragem para publicar. Mas que este campeonato do mundo está a ser uma grande palhaçada, está mesmo!

19 de junho de 2010

16 de junho de 2010

Matemática para a Vida

1+1= 2

1 Pessoa frustrada + 1 Pessoa frustrada = Nunca serão um casal feliz

11 de junho de 2010

Prova de aferição

A Ana do 6º 1ª e o Tiago do 7º 2ª foram apanhados a fazer "Amour", na casa de banho da escola, pela "Sra. Continua" que foi contratada como auxiliar de serviços gerais e se encontra a desempenhar funções de auxiliar de acção educativa. Bastante constrangido pela situação, e de uma forma extasiada, o Tiago pediu à "Sra. Continua": “Já que nos apanhou, pelo menos deixe-me terminar o serviço.”.

Após a avaliação cuidadosa da situação acima descrita, assinale a hipótese que considera mais correcta:

Hipótese A – Ao confrontar-se com tal situação, a "Sra. Continua" dirige-se à Direcção da Escola para dar conhecimento da ocorrência e conta o sucedido a todas as pessoas que encontra no caminho; que inclui professores, alunos e outros funcionários da escola.

Hipótese B – Ao confrontar-se com a situação, a "Sra. Continua" dirige-se à Direcção da Escola para dar conhecimento da ocorrência levando consigo as duas crianças e conta o sucedido a todas as pessoas que encontra no caminho; que inclui professores, alunos e funcionários da escola.

Hipótese C – Ao confrontar-se com a situação, a "Sra. Continua" dirige-se ao átrio da escola e conta o sucedido a todas as pessoas que encontra no caminho; que inclui professores, alunos e funcionários da escola.


Hipótese E – Todas as hipóteses anteriores estão correctas.

Hipótese F – Todas as hipóteses anteriores estão incorrectas.

9 de junho de 2010

Entre um beijo e outro beijo

- Não consegues ver que ela não tem o mínimo interesse em ti!?
- Estás a ser má. As coisas não são assim tão lineares.
- Não são? Se de um momento para o outro, ela diz que vai embora e nem pergunta o que tu achas…
- Mas a vida é dela.
- Por isso mesmo. Ela escolheu vivê-la sem ti.
- Como é que podes ser assim tão directa? Há pouco tempo atrás disse-te uma coisa parecida, de uma forma um pouco mais carinhosa, e tu disseste que estava errado e ficaste zangada.
- É que nós conseguimos ver melhor e avaliar melhor as situações relativas aos outros.
- Mas podias ser mais meiguinha.
- Para quê? Tu não vais aceitar de forma nenhuma. Só te quero chamar à realidade, embora saiba que neste momento é impossível.
- Ele tem-te procurado?
- Não.
- Estava a ser mau.
- Não consegues. É uma arte feminina.

7 de junho de 2010

Estava vazio

Foi a segunda vez que se encontraram no elevador. À terceira é de vez. Mas lado a lado não aconteceu nada. Foi uma espécie de matrioshka mas ao contrário, uma vez que depois de aberto, o interior encoberto mostrou-se não opaco mas sim oco. Foi um presente, mais que uma prenda inútil, que renegou o passado e que não teve futuro. Podia ser a inspiração de Cédric Klapisch, sem o elemento do crescimento individual, vazio. Nesta história não houve lugar para figuração. Um encontro é entre dois. Entre uma pessoa e outra pessoa. E neste caso foi como encher um balão de ar, furado. Ficou vazio. E o elevador, desta vez, não subiu nem desceu, estava vazio.


3 de junho de 2010

Ainda sobre o acordo ortográfico


Parece que ao abrigo do novo acordo ortográfico a manifestação pública de afecto é livre. Não há a necessidade de obedecer a quaisquer restrições ou regras de ortografia ou gramática. Isto é absolutamente válido e respeitável, assim como o escrever na parede da casa de banho e gostar de homens mais velhos, quando se frequenta o 6º ano de escolaridade.

1 de junho de 2010

Party & Co.


A minha vida onírica anda tão activa que hoje passei a noite a jogar Party & Co. e aquele jogo da mímica cujo objectivo é representar e adivinhar um filme. Foi só desenhar, fazer mímica e muita batota. O último que me calhou a mim para representar em mímica foi o King Kong. Estou toda partida.

31 de maio de 2010

30 de maio de 2010

Os mal-entendidos são como as bruxas, parece que são impossíveis, mas que os há, há. E depois não se pode fazer nada, já foi. São como as paixões, quanto mais nos envolvemos mais crescem. E começo a acreditar que são como a morte, não têm remédio. Ah! E são como as cerejas, começamos a comer uma e não conseguimos parar, e como  as conversas.

27 de maio de 2010

é cá nesta vida que se paga

Numa conversa, que inicialmente seria sobre saúde, um indivíduo contou-me que iria ser operado a uma hérnia discal. Quando demonstrei a minha solidariedade para com o problema de saúde, ele disse-me que a sua única preocupação seria saber se poderia voltar a saltar de pára-quedas. E, segundo o médico, sim, poderia voltar a saltar de pára-quedas após a operação. Pára-quedistas à parte e porque não gosto de conversar sobre problemas de saúde, é claro que tinha que introduzir uma versão mais existencial para a hérnia discal. Disse-lhe que segundo a minha perspectiva a hérnia discal seria uma consequência de um esforço físico, provavelmente um salto de pára-quedas. É cá nesta vida que se paga os males que fazemos ao corpo, disse eu ao estilo de António Variações. Tenho a sorte de me pagarem também para conversar. Ao que ele me respondeu que sabia precisamente o dia responsável por aquela hérnia. Foi há 22 anos atrás, num salto, não de pára-quedas mas sim um outro que não me lembro o nome e que metia um arnês muito difícil de explicar aqui. Eu já fiz saltos radicais, antes de ter medo. Agora, os saltos são cada vez mais baixinhos, com um arnês daqueles que seguram o corpo todo e de preferência com rede. E também sei a hora, o dia, as semanas, os meses, os anos, todos os momentos que me farão pagar, cá nesta vida. Também não sou crente que exista outra. Voltando à hérnia, não sei se foi aquele salto o responsável pelo aparecimento mas a verdade é que gostamos de marcar momentos, e eu agora tenho a certeza que aquele momento foi especial para ele. E voltaria a saltar? Perguntei eu, meio em jeito de provocação. Sim, faria esse e muitos mais se pudesse voltar o tempo atrás, respondeu ele. É desses momentos especiais que vivemos, aos 20, 30, 40, 50, 60, 70 anos de idade. Cada um com a sua maneira especial, que em geral reflecte a idade que se tem. O meu irmão mais novo, da última vez que me viu triste, disse-me com bastante convicção e satisfação "se a vida te dá limões, junta-lhe a tequilla e o sal". Ele só tem 24 anos mas é um sábio. E naquele dia, que hei-de pagar mais tarde, serviu bem o propósito. Mas, mais difícil do que curar uma hérnia discal, mais difícil do que esquecer um momento mau, mais difícil do que voltar atrás no tempo, mais difícil é perder o medo de viver com medo das consequências. As consequências, aquelas que se vão pagar nesta vida.

23 de maio de 2010

Ary dos Santos

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo morria.
Quando à boca da noite surgiste na tarde qual rosa tardia
Quando nós nos olhámos, tardámos no beijo que a boca pedia
e na tarde ficámos, unidos, ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia.
(…)

18 de maio de 2010

Vão lá ver!

Porque o sonho comanda a vida e porque gosto de pessoas que fazem tudo para concretizar os seus sonhos, vão lá espreitar:

17 de maio de 2010

A galinha da minha vizinha é melhor que a minha



Todos temos uma galinha dentro de nós. Hoje em dia as galinhas podem ser de campo ou de aviário eu, por exemplo, sou do género de aviário. Já até pensei em injectar umas hormonas para crescer mais rápido mas depois disseram-me que se não tenho já não me nasce, que é o mesmo que dizer que já não me cresce. Mas ao contrário do que poderiam ter pensado inicialmente, não vou falar do farmville nem vou falar de inveja porque este não é um defeito que me caracterize.
Quando pensei nesta frase ou ditado estava mais a pensar, para além da insatisfação e confusão, da separação entre razão e coração. Já viram uma galinha a morrer? Vai a cabeça para um lado e o corpo para outro com vontade própria. É mais ou menos assim que eu me sinto, por vezes. A única diferença é que, embora pareça que não, a cabeça e o corpo estão sempre juntos e nem sempre concordam. É o conhecido mecanismo de defesa de racionalização, que basicamente se resume a arranjar um motivo lógico para pensamentos ou acções tidas como inaceitáveis, a falhar. É um dos mais aceitáveis e exemplifica-se em expressões como “eu acho que gosto de ti e não fiz por mal”, quando na verdade o que se está a tentar dizer é “perdi o controlo do meu coração e ele comanda as minhas acções”. Este é sem sombra de dúvida um dos que gosto mais, mas nem sempre consigo. Mas, já dizia o António Variações, “Quando a cabeça está convencida de que ela é a oitava maravilha, o corpo é que sofre” e eu quero me poupar. Até porque na minha cabeça, por agora, é melhor não fiar. Vou sublimar.

15 de maio de 2010

14 de maio de 2010

11 de maio de 2010

Apocalipse Now ou Corta tesão

Ainda a propósito da visita do Papa, lembrei-me de Jesus de Nazaré. Eu não sou muito católica, embora tenha quatro dos sacramentos celebrados pela igreja católica. Mas também já cometi os sete pecados capitais, mais aqueles pecados que são perdoáveis sem a confissão e que não consigo enumerar. Sou, no entanto, uma precursora dos valores de Jesus Cristo, o que não está directamente relacionado com o Cristianismo. Cristianismo, faz-me lembrar o Cristiano Ronaldo e a imprensa cor-de-rosa, o que nada tem a ver com o assunto. Até porque não gosto de histórias de faca e alguidar, prefiro romances mais ao estilo Romeu e Julieta e a única semelhança que encontro é o mediatismo da visita do representante da igreja católica ao nosso país com as famosas visitas à casa do jogador da bola.
Se Jesus de Nazaré vivesse hoje em dia eu seria certamente uma fiel seguidora porque gosto de pessoas com valores, que prosseguem ideais e, tenho que confessar que, tenho um fraquinho por homens de barba e cabelo comprido. Para além dos ideais, gosto de parábolas e de milagres e custa-me saber que foi acusado injustamente e traído pelos amigos. Fascina-me a ideia de estar ao lado de um homem que transforma água em vinho, ainda por cima tinto.
A visita do Papa, entre outras coisas, está a destruir todo o meu imaginário sobre Jesus de Nazaré. As roupas de algodão confortáveis e as sandálias de couro estilo hippie foram substituídas por sedas e bordados a ouro e por sapatos vermelhos ao estilo Prada. Tenho a certeza que o meu Jesus preferiria ir passear comigo à beira-rio, ver o pôr-do-sol, dispensaria todos estes acessórios e mediatismo e se acontecesse alguma multiplicação no final não seria nem de pães nem de peixes.

10 de maio de 2010

Grey Monday

A segunda-feira é um dia horroroso, principalmente depois de um fim de semana preenchido. E porque o desejo é que chegue rápido sexta-feira, aqui fica uma música para recordar.

8 de maio de 2010

Sobre a Fé e o Papa

Eu tenho andado a pensar muito na visita do Papa e em Jesus. No Domingo passado, quando andei a passear na baixa de Lisboa à noite, percebi como a cidade se prepara para a sua chegada, vi a polícia alerta e espalhada pelas várias ruas. Eu sinto-me à vontade para falar assim, abertamente, porque tenho todos os sacramentos que me foram possíveis até à data actual e provavelmente até ao fim dos meus dias. Mas este é um assunto que fica para depois. O que queria partilhar é que relativamente à visita do Papa, eu tenho dois desejos sinceros a pedir e um agradecimento desde já a fazer: obrigada pela tolerância de ponto do dia 13 de Maio; desejo que nenhuma intempérie ou força da natureza o impeça de regressar no dia previsto a Roma, porque Portugal não suportaria uma estadia mais prolongada; e por último, mas mais importante ainda, desejo muito que quando o Papa for sobrevoar e abençoar o Cristo Rei, e se for o caso deitar água benta, que o vento esteja no sentido noroeste pois eu ainda tenho fé que me calhe alguma coisa e vou deixar as minhas janelas abertas.

5 de maio de 2010

Há momentos em que não me apetece dizer absolutamente nada.

1 de maio de 2010

sobre o mês de maio

Hoje dei por mim, na livraria, parada junto aos livros de auto-ajuda. Não vou criticar quem lê, porque nunca li nenhum. Todas as minhas observações são baseadas nas capas e prefácios, bem como em estereótipos de algumas pessoas que os lêem. Todos têm a fórmula para a felicidade, como se esta última tivesse forma quanto mais fórmula. De vez em quando todos precisamos de um bálsamo para alma e cada um de nós escolhe a melhor forma, se bem que dar 20 ou 30€ por um livro de auto-ajuda deve fazer melhor a longo prazo do que um dia de spa por mês e, talvez quem sabe, me dispensassem de uma consulta de tarôt. Ler um livro de auto-ajuda é como ir ao cinema e escolher ver a “Alice” de Tim Burton pela segunda vez ao invés de ver “Shutter Island” de Scorsese, porque loucuras e problemas já bastam os do dia a dia. Eu provavelmente até compreenderia a escolha, se o Johnny Depp não estivesse tão caracterizado. Eu sei que andar a ler “A Obra ao Negro” de Marguerite Yourcenar, para além de não contribuir para o fortalecimento das minhas relações sociais, também não me parece uma acção muito católica para o mês de Maria. Mas eu sei que, e acreditem se quiserem, é tão difícil, cansativo e apaixonadamente estranho ser um fiel hipócrita acomodado à confortável vida tal como ela é, como ser um fiel lutador de ideais e um curioso dos mistérios deste mundo e da procura da compreensão da existência humana.

28 de abril de 2010

A tristeza e as inquietações que nos ruminam são como uma cadeira de baloiço, entretêm-nos mas não nos tiram do mesmo sítio.

26 de abril de 2010

Sei que já passou o dia mundial do livro...

...mas recebi este vídeo por e-mail e apeteceu-me partilhar. Vinha juntamente com a seguinte mensagem "Como se manifesta uma vocação natural... Dá que pensar... Um planeta com tantos mundos!"

21 de abril de 2010

É impossível não comunicar


Estou muito preocupada comigo. Parece que existe um músico chamado Michael Bublé que arrasta multidões e eu não sabia que existia. Eu que sou uma gaja tão informada. Até já está agendado um segundo concerto para Lisboa, porque a primeira data esgotou em 4 dias. Será possível viver num estado de tão grande alienação? Não, não estou assim tão afastada. Segundo pessoas próximas de mim posso ficar descansada porque de certeza que já ouvi as músicas só não identifico o intérprete.
Para mim, conhecer a música e não saber quem é o intérprete é quase tão alienado como não conhecer nada. Porque eu acho que a nossa curiosidade sobre as coisas que estão à nossa volta devem ter um nome, nem que seja para podermos comunicar e trocar impressões. Havia de ter o seu encanto, cada um de nós dar um nome diferente à mesma coisa. Seria possível entendermo-nos? Se mesmo havendo uma linguagem semelhante às vezes é tão difícil, imaginem se cada um de nós tivesse a sua. Mas há excepções. Há formas de entendimento que ultrapassam as palavras, a música é uma delas. Não é fácil não ouvir a mesma música, é como não falar a mesma linguagem. Mas, como acontece quando chegamos a uma terra que nos é estranha e que não conhecemos a língua, arranjamos sempre outra forma alternativa de comunicação. É impossível não comunicar.

20 de abril de 2010

16 de abril de 2010

Porque está quase a chegar o fim-de-semana, porque hoje começa o prazo para entrega da minha declaração do IRS, porque acabei de perceber que o reembolso demora 2 semanas, porque o mês está quase a chegar ao fim, aqui fica uma música para ouvir e partilhar neste fim de tarde que se avizinha longo .
Não era bem esta, mas siga!

13 de abril de 2010

Sobre Pilas

No âmbito da minha investigação realizada após ouvir as notícias do jornal da tarde e não só, apresento-vos uma breve resenha bibliográfica dos estudos efectuados por especialistas na área da sexualidade. Estudo (que podem encontrar aqui) revelou que a probabilidade de se ter comportamentos sexuais desadequados e mesmo patológicos, como é o caso da pedofilia, aumenta em pessoas que gostam de pilas. Isto significa que engloba homossexuais, mulheres e mulheres que embora não gostem de homens gostam de pilas (tipo cinto de castidade) e também padres. Outros estudos (que podem encontrar aqui), revelaram que a probabilidade  de se ter comportamentos pedófilos é inversamente proporcional à probabilidade de se ter comportamentos sexualmente saudáveis em pessoas que gostam de pilas maiores de idade, ou seja maduras, independentemente do género/buraco e da profissão. Estudos realizados em gémeos, demonstraram que não existem diferenças significativas entre ambos antes da primeira experiência sexual. No entanto não existem resultados estatisticamente significativos referentes a outras pessoas, nomeadamente as que não sabem o que são pilas.
Sugiro que investiguem esta excitante área, uma vez que não consegui encontrar mais informação relevante porque só tenho 1 hora de almoço.

11 de abril de 2010

É um Engano

É um Engano.
A maior parte das coisas que diz, não sente.
A maior parte das coisas que sente, não diz.
Diz que não, quando quer dizer sim.
Diz sim, quando quer dizer não.
Quando faz, diz que não foi ela.
Quando não faz, diz que já fez.
Aprecia a degradação, quando vê o belo.
Vê o belo, na degradação.
É original, quando devia ser convencional.
É convencional, quando devia ser original.
O possível, não a satisfaz.
Deseja o impossível.
É a farsante da sua própria história.

10 de abril de 2010

duchese

- Tens que conviver.
- Sim, eu convivo.
- Eu sei que tens amigos, mas não falo disso. Tens que alargar o círculo em que te moves. Não penses que se te juntares com os fracos, sobressais. Pelo contrário, só te afundas nessa fraqueza e ficas igual. Tens que procurar outros estímulos que ampliem todo o teu potencial.
- Mas como?
- Isso já não sei dizer. Mas em vez de andares sempre a comer bolo de arroz, experimenta o pastel de nata ou o duchese.
- Será então na pastelaria? Fascina-me a imagem que essa ideia suscita.
- Já alguma vez reparaste nas pessoas que lancham numa pastelaria? Hás-de reparar, estão todas com uma redoma à volta da cabeça. Cada uma tem o seu mundo, as suas mágoas, as suas preocupações, as suas alegrias. E se pensares bem a maioria dessas emoções não lhes pertence verdadeiramente, foram-lhes impostas e dependem dos outros.
- Sim, mas não é fácil andar por aí com a cabeça a descoberto.
- Não, a maioria das pessoas não vai compreender-te. Agora depende do que tu desejas alcançar e de quem tu desejas que te compreenda.
- …

9 de abril de 2010

song for today

Romance

“As personagens do meu romance são as minhas próprias possibilidades não realizadas. É o que faz com que goste igualmente de todas elas e também com que todas elas me assustem igualmente um pouco. Todas, sem excepção, atravessaram uma fronteira que eu só contornei. O que me atrai precisamente é essa fronteira que elas atravessaram (a fronteira para lá da qual acaba o meu eu). Do outro lado, começa o mistério que o romance interroga. O romance não é uma confissão do autor, mas uma exploração do que a vida humana é nesta armadilha em que o mundo se converteu.” M. Kundera

8 de abril de 2010

E agora, algo verdadeiramente profundo.

Hoje joga o Benfica com o Liverpool. Se o Benfica ganhar, eu e provavelmente um milhão de pessoas ficarão contentes. Se o Liverpool ganhar, eu e provavelmente um milhão de pessoas ficarão tristes. Mas, no entanto, numa profunda análise existencial, será apenas um jogo de futebol. E, mesmo não sendo a razão da minha existência, proporcionar-me-á um belo momento de prazer. 
Mas quando o Benfica ganhar, será a Loucura!

6 de abril de 2010

De repente, viu-o.

Encontrou-o não por acaso naquela livraria. Foi ali que se encontraram ao final da noite. Acreditava que o conhecia, que partilhavam os mesmos gosto e o mesmo desejo. Depois já não ambicionava acreditar. Assim que lhe acorriam as lembranças, afastava-o do pensamento e reprimia a ilusão de o voltar a ver. Naquele dia, inesperadamente viu-o. De repente, viu-o. Nem queria acreditar que conseguia sentir o cheiro do perfume àquela distância. Estava na livraria. Naquele dia, assustada, acordou de repente, olhou para o lado e viu o livro que estava a ler em cima da mesa-de-cabeceira. Estava a sonhar. No meio de tanta chuva, apeteceu-lhe comer passas e beber champanhe, só para pedir desejos. Lembrou-se que talvez se tivesse esquecido de pedir alguns. Não era um sonho, era puro desejo.

Simpatias para todas as ocasiões

Presunção e água benta, cada um toma a que quer. E não tem que escolher, geralmente quem toma uma toma também da outra. Só desta forma se consegue explicar tamanho pensamento mágico característico de quem exagera na presunção. A verdade é que essa elevadíssima imagem de si própria não revela por si só uma grande auto-estima, no máximo revelará uma grande falta de humildade aliada a uma devoção também ela exagerada por si própria à falta da devoção de outrem.
Mas o meu intuito inicial, quando comecei a escrever este post, era falar sobre simpatias e não sobre pessoas simpáticas. Mas, não consigo.
Eu conheço realmente pessoas simpáticas. Daquelas que não é preciso recorrer a simpatias para criar uma empatia. E se eu achei em tempos que a humildade seria uma das características pela qual eu sentia maior empatia, agora já não acho. Estar com uma pessoa presunçosa, que soa assim meio a rançosa, é um momento de grande divertimento. Eu preciso de divertir-me, mas ainda assim não é fácil a escolha. É como ir ao circo, regozijar-se com a parte dos leões e depois pensar que são animais selvagens que foram amestrados. Eu gosto de ir ao circo. Mas gosto principalmente dos malabaristas e trapezistas, que posso fazer.

4 de abril de 2010

Be Stupid

Fui ver a peça do Rei Édipo e gostei muito. Até aconselhava, mas já saiu de cena. É claro que a história já conhecia, mas não deixei de me questionar sobre o sentido daquele mito. Se não é bonito matar o pai e dormir com a mãe, também não acho lá muito engraçado que ele tenha furado os próprios olhos por ter feito uma coisa que não tinha culpa. Além do mais o destino estava traçado. É que pagar por pecados que não se sabia estar a cometer não é justo. E a justiça, segundo dizem, é o pilar do mundo civilizado. Mas a peça é uma tragédia grega. Hoje em dia isso já não aconteceria, já ninguém carrega culpas de coisas que não fez e além disso já se fazem análises de ADN que torna a identificação da paternidade muito mais fácil. O que me fez logo pensar na nova campanha da Diesel, Be Stupid. A culpa, no nosso tempo, deve-se a estas campanhas. Incentivam-nos a viver a vida como se não houvesse amanhã e depois a única coisa que nos resta são os acessórios e as calças de ganga a preços exorbitantes. Eu, embora não compre Diesel, aproveitei a desresponsabilização. Quero ser estúpida.


3 de abril de 2010

Estou flippada

Estive a jogar flippers. Não consigo entender o objectivo de jogo da máquina de flippers.Assim como não entendo a chuva no verão, os relógios de pulso e as pessoas que não bebem leite porque provem da vaca.
Se eu escrevesse um argumento para um filme, teria com certeza um diálogo existencial tendo como cenário uma máquina de flippers. Aliás, lembro-me de alguns filmes onde ela está presente e que povoam o meu imaginário.
O jogo é entre mim, uma bola e a lei da gravidade. O meu objectivo deveria ser marcar pontos até que a mão me doa. Não deixar que a gravidade faça cair a bola entre as duas pequenas batutas que orquestram o jogo. Mas o que eu gosto mais é dos sons e das luzes. É um jogo de agilidade, dizem. Só alguns aprendem a jogar. Para mim é um jogo de arremessar emoções. Quanto mais à pontinha da batuta a bola bater, maior a velocidade e maior a confusão de luzes e sons. E, todos os que jogam pinball sabem que, quanto maior a velocidade que a bola levar maior é a probabilidade de perder-se o controlo do jogo. Porque, como alguém já escreveu, o que interessa não é a velocidade mas sim a direcção. Assim, o meu objectivo deveria ser orientar a bola para tocar onde se ganha mais pontos. Essa é a verdadeira regra do jogo. Mas eu gosto de jogar à bruta.

30 de março de 2010

Geometria descritiva

A aptidão para a visão espacial nunca foi o meu forte. Projectar um desenho do espaço para o papel é uma difícil tarefa. Forma, dimensão, espaço, ponto, recta, plano, sempre foram conceitos imperceptíveis para mim. Porque a forma persiste, sem tempo, sem espaço e num qualquer plano. A distância entre dois pontos não é um segmento de recta. E o caminho percorrido não é medido pela distância que se faz. Há distâncias que não são medidas pela matemática e física. A trajectória entre um ponto x e um ponto y não é igual à trajectória entre um ponto y e um ponto x. Também não existem linhas paralelas, desenganem-se. Todas vão ter à mesma direcção, que aparece desenhada em sonhos nas entrelinhas. E é nos sonhos, sem espaço, tempo ou forma, que se desenha a vida.

27 de março de 2010

Dia mundial do irmão

Hoje questionei-me porque não haverá um dia mundial do irmão, embora tenha uma opinião muito particular sobre os dias que são assinalados com uma data específica. Para mim, não existe nada maior no mundo nem amor maior no mundo que o que sinto pelos meus irmãos. Imagino-me a cometer as maiores loucuras por eles. Não consigo sequer conceber a minha felicidade sem partilhar da deles. É o exemplo da amizade verdadeira. É a aceitação incondicional. Nesta relação não consigo compreender qualquer tipo de sentimento mesquinho. É como algo de transcendente, dificilmente traduzível por palavras. Já procuraram um sinónimo para irmão? Igual, semelhante, companheiro, colega. Por isso decreto hoje o dia mundial do irmão. Pelo menos no meu mundo.