Foi a segunda vez que se encontraram no elevador. À terceira é de vez. Mas lado a lado não aconteceu nada. Foi uma espécie de matrioshka mas ao contrário, uma vez que depois de aberto, o interior encoberto mostrou-se não opaco mas sim oco. Foi um presente, mais que uma prenda inútil, que renegou o passado e que não teve futuro. Podia ser a inspiração de Cédric Klapisch, sem o elemento do crescimento individual, vazio. Nesta história não houve lugar para figuração. Um encontro é entre dois. Entre uma pessoa e outra pessoa. E neste caso foi como encher um balão de ar, furado. Ficou vazio. E o elevador, desta vez, não subiu nem desceu, estava vazio.

16 comentários:
Bom dia Tulipa. O vazio é uma dor que não se deseja sentir...
Que lindo texto, gostei muito.
Desejos de um dia em cheio.
Catarina
Mas faz parte. Um bom dia para ti também :) kiss
ÀS VEZES É MESMO ASSIM...NÃO EXISTEM AFINIDADES...SÃO DOIS ESTRANHOS QUE NADA QUEREM OU DESEJAM PARTILHAR...OUTRAS VEZES O VAZIO PREENCHE PORQUE SIMPLESMENTE O QUE HAVIA TERMINOU...MÁGOAS...PARA QUÊ? JÁ NÃO EXISTE NADA... SE FICAR UMA AMIZADE ...O OUTRO LADO DO SENTIMENTO JÁ É BOM...
BEIJO
Pedrasnuas, que o vazio seja preenchido pelos sentimentos bons, é esse o caminho. kisses
Encher um balão furado, é como perder o fôlego, e quando se perde o fôlego por um furo oco, opaco, fica-se vazio. Não vale a pena voltar a soprar. Não volta a encher.
Gostei muito.
Kiss :)
Os encontros no elevador são sempre esquisitos, a bem dizer.
Depende, Matador. A proximidade física nem sempre é má, mas no elevador é esquisito :)
Pois é Helga. É cansativo e temos a certeza que não vai encher. kiss
às vezes estamos tão perto e tão longe!
Mas acontecem coisas tão insperadas nos elevadores...
É verdade Tio, tão perto e às vezes tão longe e o contrário também é verdade.
E quando a expectativa é grande, maior é a desilusão :)
Quanto aos elevadores... povoam os fetiches de muita boa gente...:))))
MZ, concordo, a desilusão é proporcional à expectativa...o elevador é só um acessório :)
sim, quando mais expectantes, possivelmente mais desiludidos. o que há a fazer nestas situações é arranjar um meio termo, o que não é fácil: tentar ser só metade 'eu', a fim de, caso me magoar, magoar só metade. caso tenha sucesso, é encher a alma e voltar a ser um todo.
enfim... algo... ;)
Otário, metade eu é uma estratégia engraçada mas seria, certamente, um grande fracasso :)
Obrigada pela visita!
...E dentro de um elevador podem existir situações de cortar a respiração... nesse caso o balão com furo ou sem furo é indiferente...
Gostei bastante!
Beijinho**
Sim, os elevadores podem ser meio claustrofóbicos :)
Obrigada, Lala. Kisses
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