1 de maio de 2010

sobre o mês de maio

Hoje dei por mim, na livraria, parada junto aos livros de auto-ajuda. Não vou criticar quem lê, porque nunca li nenhum. Todas as minhas observações são baseadas nas capas e prefácios, bem como em estereótipos de algumas pessoas que os lêem. Todos têm a fórmula para a felicidade, como se esta última tivesse forma quanto mais fórmula. De vez em quando todos precisamos de um bálsamo para alma e cada um de nós escolhe a melhor forma, se bem que dar 20 ou 30€ por um livro de auto-ajuda deve fazer melhor a longo prazo do que um dia de spa por mês e, talvez quem sabe, me dispensassem de uma consulta de tarôt. Ler um livro de auto-ajuda é como ir ao cinema e escolher ver a “Alice” de Tim Burton pela segunda vez ao invés de ver “Shutter Island” de Scorsese, porque loucuras e problemas já bastam os do dia a dia. Eu provavelmente até compreenderia a escolha, se o Johnny Depp não estivesse tão caracterizado. Eu sei que andar a ler “A Obra ao Negro” de Marguerite Yourcenar, para além de não contribuir para o fortalecimento das minhas relações sociais, também não me parece uma acção muito católica para o mês de Maria. Mas eu sei que, e acreditem se quiserem, é tão difícil, cansativo e apaixonadamente estranho ser um fiel hipócrita acomodado à confortável vida tal como ela é, como ser um fiel lutador de ideais e um curioso dos mistérios deste mundo e da procura da compreensão da existência humana.

17 comentários:

Helga disse...

Alguém disse uma vez (não me lembro quem), que a única forma de enriquecer e ser feliz através de um livro de auto-ajuda... é escrever um!

Boas leituras! Kiss :)

Tulipa disse...

Bom ponto de vista, Helga. Kiss

El Matador disse...

O que eu gosto dos livros de auto-ajuda é a vontade desinteressada que eles mostram em ajudar as pessoas. É claro que essa vontade desinteressada só pode ser adquirida mediante pagamento.

Diz o ditado:
"Money Talks, Bullshit Walks!

Tulipa disse...

Belo ditado e bem apropriado, Matador.

Manuela Coelho disse...

Isto parece-me tudo uma questão de fé. E cada um acredita naquilo que mais lhe convém, de acordo com as suas convicções. A verdade é que nos livros de auto-ajuda tudo parece tão simples... É incrível como parecem ter solução para todos os problemas!

Tulipa disse...

É verdade Manuela, basta acreditar.

Gingerbread Girl disse...

É aquela coisa do "sorri para o mundo que o mundo sorrirá para ti" bullshit.

PR" disse...

Gostei!

Meio Cheio disse...

As pessoas com reais problemas de auto ajuda escrevem um livro sobre o assunto para fazerem crer que as suas divagações estão certas e afinal nem precisam de ajuda (e ficam ricas...que chatice). nunca li um...mas sinceramente concordo contigo...sinto que não preciso e sinto que ninguém precisa pois as respostas que procuram dificilmente vão encontrar em livros como o Segredo que toda a gente comprou...acham que é por repetir 10x por dia "Vou ser rico" que se vai tornar realidade? Então precisam mesmo de ajuda...mas não é auto...é de especialistas mesmo...

Beijinho ^^

Manuela Santos disse...

Eu também nunca comprei um livro de auto-ajuda, não acredito nisso, aliás não acredito em muitas coisas! A auto-ajuda tem que começar em mim e depois considero óptimo ter alguém, que não tenha a pretensão de me ajudar, mas tenha paciência para me ouvir!
Beijinhos Tulipa,
Manuela

Tulipa disse...

Pois é Ginger, se fosse assim era tão fácil...

Tulipa disse...

Ainda bem PR :)

Os nosso amigos são o melhor livro de auto-ajuda, Manuela.

Kisses

Tulipa disse...

Meio Cheio, o comentário demorou mas apareceu :) e tens razão, mas algumas pessoas precisam agarrar-se a alguma coisa...pelo menos lêem o que já as ajuda :) kiss

MZ disse...

Acredito que as experiências de vida possam ser partilhadas e consequentemente possam assim contribuir para ajudar outros. Agora fórmulas não creio que elas existam.

Vi os dois filmes e escolheria ver novamente 'Alice'
:)

Tulipa disse...

Concordo MZ, através da partilha ajudamo-nos uns aos outros.
Tb vi os dois filmes e escolheria ver um novo :) até pq isto de repetir filmes, só acontece em casa no sofá. kiss

Catarina Reis disse...

Quem não pensa verdadeiramente quem deixa que os outros pensem por si?
Auto-ajuda?!! A ajuda que não vem a pé, vem de AUTO.
Agora mais a sério, eu já estive ligada ao mundo livreiro, e conheço bastantes livros deste tema, não ensinam nada de novo, são livros positivos, que procuram passar ideias positivas, mas para mim não passam de produção em série com forte promoção e Marketing, na sua maioria são bons para acender lareiras.
Bjs Catarina

Tulipa disse...

Pois é Catarina. Esses livros têm o valor que lhes dermos, algumas pessoas precisam agarrar-se a isso. Antes isso do que algo menos saudável. ;) kiss