31 de maio de 2010

30 de maio de 2010

Os mal-entendidos são como as bruxas, parece que são impossíveis, mas que os há, há. E depois não se pode fazer nada, já foi. São como as paixões, quanto mais nos envolvemos mais crescem. E começo a acreditar que são como a morte, não têm remédio. Ah! E são como as cerejas, começamos a comer uma e não conseguimos parar, e como  as conversas.

27 de maio de 2010

é cá nesta vida que se paga

Numa conversa, que inicialmente seria sobre saúde, um indivíduo contou-me que iria ser operado a uma hérnia discal. Quando demonstrei a minha solidariedade para com o problema de saúde, ele disse-me que a sua única preocupação seria saber se poderia voltar a saltar de pára-quedas. E, segundo o médico, sim, poderia voltar a saltar de pára-quedas após a operação. Pára-quedistas à parte e porque não gosto de conversar sobre problemas de saúde, é claro que tinha que introduzir uma versão mais existencial para a hérnia discal. Disse-lhe que segundo a minha perspectiva a hérnia discal seria uma consequência de um esforço físico, provavelmente um salto de pára-quedas. É cá nesta vida que se paga os males que fazemos ao corpo, disse eu ao estilo de António Variações. Tenho a sorte de me pagarem também para conversar. Ao que ele me respondeu que sabia precisamente o dia responsável por aquela hérnia. Foi há 22 anos atrás, num salto, não de pára-quedas mas sim um outro que não me lembro o nome e que metia um arnês muito difícil de explicar aqui. Eu já fiz saltos radicais, antes de ter medo. Agora, os saltos são cada vez mais baixinhos, com um arnês daqueles que seguram o corpo todo e de preferência com rede. E também sei a hora, o dia, as semanas, os meses, os anos, todos os momentos que me farão pagar, cá nesta vida. Também não sou crente que exista outra. Voltando à hérnia, não sei se foi aquele salto o responsável pelo aparecimento mas a verdade é que gostamos de marcar momentos, e eu agora tenho a certeza que aquele momento foi especial para ele. E voltaria a saltar? Perguntei eu, meio em jeito de provocação. Sim, faria esse e muitos mais se pudesse voltar o tempo atrás, respondeu ele. É desses momentos especiais que vivemos, aos 20, 30, 40, 50, 60, 70 anos de idade. Cada um com a sua maneira especial, que em geral reflecte a idade que se tem. O meu irmão mais novo, da última vez que me viu triste, disse-me com bastante convicção e satisfação "se a vida te dá limões, junta-lhe a tequilla e o sal". Ele só tem 24 anos mas é um sábio. E naquele dia, que hei-de pagar mais tarde, serviu bem o propósito. Mas, mais difícil do que curar uma hérnia discal, mais difícil do que esquecer um momento mau, mais difícil do que voltar atrás no tempo, mais difícil é perder o medo de viver com medo das consequências. As consequências, aquelas que se vão pagar nesta vida.

23 de maio de 2010

Ary dos Santos

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo morria.
Quando à boca da noite surgiste na tarde qual rosa tardia
Quando nós nos olhámos, tardámos no beijo que a boca pedia
e na tarde ficámos, unidos, ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia.
(…)

18 de maio de 2010

Vão lá ver!

Porque o sonho comanda a vida e porque gosto de pessoas que fazem tudo para concretizar os seus sonhos, vão lá espreitar:

17 de maio de 2010

A galinha da minha vizinha é melhor que a minha



Todos temos uma galinha dentro de nós. Hoje em dia as galinhas podem ser de campo ou de aviário eu, por exemplo, sou do género de aviário. Já até pensei em injectar umas hormonas para crescer mais rápido mas depois disseram-me que se não tenho já não me nasce, que é o mesmo que dizer que já não me cresce. Mas ao contrário do que poderiam ter pensado inicialmente, não vou falar do farmville nem vou falar de inveja porque este não é um defeito que me caracterize.
Quando pensei nesta frase ou ditado estava mais a pensar, para além da insatisfação e confusão, da separação entre razão e coração. Já viram uma galinha a morrer? Vai a cabeça para um lado e o corpo para outro com vontade própria. É mais ou menos assim que eu me sinto, por vezes. A única diferença é que, embora pareça que não, a cabeça e o corpo estão sempre juntos e nem sempre concordam. É o conhecido mecanismo de defesa de racionalização, que basicamente se resume a arranjar um motivo lógico para pensamentos ou acções tidas como inaceitáveis, a falhar. É um dos mais aceitáveis e exemplifica-se em expressões como “eu acho que gosto de ti e não fiz por mal”, quando na verdade o que se está a tentar dizer é “perdi o controlo do meu coração e ele comanda as minhas acções”. Este é sem sombra de dúvida um dos que gosto mais, mas nem sempre consigo. Mas, já dizia o António Variações, “Quando a cabeça está convencida de que ela é a oitava maravilha, o corpo é que sofre” e eu quero me poupar. Até porque na minha cabeça, por agora, é melhor não fiar. Vou sublimar.

15 de maio de 2010

14 de maio de 2010

11 de maio de 2010

Apocalipse Now ou Corta tesão

Ainda a propósito da visita do Papa, lembrei-me de Jesus de Nazaré. Eu não sou muito católica, embora tenha quatro dos sacramentos celebrados pela igreja católica. Mas também já cometi os sete pecados capitais, mais aqueles pecados que são perdoáveis sem a confissão e que não consigo enumerar. Sou, no entanto, uma precursora dos valores de Jesus Cristo, o que não está directamente relacionado com o Cristianismo. Cristianismo, faz-me lembrar o Cristiano Ronaldo e a imprensa cor-de-rosa, o que nada tem a ver com o assunto. Até porque não gosto de histórias de faca e alguidar, prefiro romances mais ao estilo Romeu e Julieta e a única semelhança que encontro é o mediatismo da visita do representante da igreja católica ao nosso país com as famosas visitas à casa do jogador da bola.
Se Jesus de Nazaré vivesse hoje em dia eu seria certamente uma fiel seguidora porque gosto de pessoas com valores, que prosseguem ideais e, tenho que confessar que, tenho um fraquinho por homens de barba e cabelo comprido. Para além dos ideais, gosto de parábolas e de milagres e custa-me saber que foi acusado injustamente e traído pelos amigos. Fascina-me a ideia de estar ao lado de um homem que transforma água em vinho, ainda por cima tinto.
A visita do Papa, entre outras coisas, está a destruir todo o meu imaginário sobre Jesus de Nazaré. As roupas de algodão confortáveis e as sandálias de couro estilo hippie foram substituídas por sedas e bordados a ouro e por sapatos vermelhos ao estilo Prada. Tenho a certeza que o meu Jesus preferiria ir passear comigo à beira-rio, ver o pôr-do-sol, dispensaria todos estes acessórios e mediatismo e se acontecesse alguma multiplicação no final não seria nem de pães nem de peixes.

10 de maio de 2010

Grey Monday

A segunda-feira é um dia horroroso, principalmente depois de um fim de semana preenchido. E porque o desejo é que chegue rápido sexta-feira, aqui fica uma música para recordar.

8 de maio de 2010

Sobre a Fé e o Papa

Eu tenho andado a pensar muito na visita do Papa e em Jesus. No Domingo passado, quando andei a passear na baixa de Lisboa à noite, percebi como a cidade se prepara para a sua chegada, vi a polícia alerta e espalhada pelas várias ruas. Eu sinto-me à vontade para falar assim, abertamente, porque tenho todos os sacramentos que me foram possíveis até à data actual e provavelmente até ao fim dos meus dias. Mas este é um assunto que fica para depois. O que queria partilhar é que relativamente à visita do Papa, eu tenho dois desejos sinceros a pedir e um agradecimento desde já a fazer: obrigada pela tolerância de ponto do dia 13 de Maio; desejo que nenhuma intempérie ou força da natureza o impeça de regressar no dia previsto a Roma, porque Portugal não suportaria uma estadia mais prolongada; e por último, mas mais importante ainda, desejo muito que quando o Papa for sobrevoar e abençoar o Cristo Rei, e se for o caso deitar água benta, que o vento esteja no sentido noroeste pois eu ainda tenho fé que me calhe alguma coisa e vou deixar as minhas janelas abertas.

5 de maio de 2010

Há momentos em que não me apetece dizer absolutamente nada.

1 de maio de 2010

sobre o mês de maio

Hoje dei por mim, na livraria, parada junto aos livros de auto-ajuda. Não vou criticar quem lê, porque nunca li nenhum. Todas as minhas observações são baseadas nas capas e prefácios, bem como em estereótipos de algumas pessoas que os lêem. Todos têm a fórmula para a felicidade, como se esta última tivesse forma quanto mais fórmula. De vez em quando todos precisamos de um bálsamo para alma e cada um de nós escolhe a melhor forma, se bem que dar 20 ou 30€ por um livro de auto-ajuda deve fazer melhor a longo prazo do que um dia de spa por mês e, talvez quem sabe, me dispensassem de uma consulta de tarôt. Ler um livro de auto-ajuda é como ir ao cinema e escolher ver a “Alice” de Tim Burton pela segunda vez ao invés de ver “Shutter Island” de Scorsese, porque loucuras e problemas já bastam os do dia a dia. Eu provavelmente até compreenderia a escolha, se o Johnny Depp não estivesse tão caracterizado. Eu sei que andar a ler “A Obra ao Negro” de Marguerite Yourcenar, para além de não contribuir para o fortalecimento das minhas relações sociais, também não me parece uma acção muito católica para o mês de Maria. Mas eu sei que, e acreditem se quiserem, é tão difícil, cansativo e apaixonadamente estranho ser um fiel hipócrita acomodado à confortável vida tal como ela é, como ser um fiel lutador de ideais e um curioso dos mistérios deste mundo e da procura da compreensão da existência humana.