20 de agosto de 2011

Vamos fugir

Isto hoje não está a correr nada bem, deve ser do tempo. Não sei se vale repetir textos, mas como ando armada em calona aqui vai um com uma pequena adaptação de um texto antigo. Até porque é tempo de férias, o dia está xoxo, o tema deste mês da fábrica de letras é fugir, e para mim fugir rima com escrever.
Ando a passear na vida. Nos últimos cinco anos vivi em quatro sítios diferentes. Está bem que em dois dos sítios foi apenas um mês. Mas não interessa o tempo que se passa em cada sítio, pois eu ouvi dizer que integramos em nós um pouco dos sítios por onde vamos passando, e esta ideia assusta-me. Nos últimos anos, mudei de casa quatro vezes. É verdade, quatro vezes! Embora seja uma das coisas que me causa mais stress (concluí isso hoje, ou há dois anos atrás), posso afirmar que tem algumas vantagens. Ver a nossa vida em malas de viagem, caixas de papelão e sacos de plástico, não é deveras agradável, mais que não seja pelo lado simbólico da coisa e também devido ao pó que carregamos connosco (para além de outras coisas vivas que podem aparecer pelo meio). Mas, deixo de fora as coisas fúteis que nos habituamos a coleccionar e as novas tecnologias ajudam a ter sempre próximos aqueles que são importantes e que carregamos simbolicamente em números de telefone e endereços de e-mail! Não fosse a máquina de lavar roupa, que tanto pesa e falta faz, poderia dizer que comigo só precisaria de levar o telemóvel e o computador portátil. Fora os exageros, e embora não saiba explicar, tenho outras coisas que me acompanham e não deixam de ser muito importantes e que causam alguns transtornos na hora da mudança, como por exemplo, os livros que nunca li, os que li, e todos os suportes de velas que me vão oferecendo ao longo destes anos e que não ficam bem em lado nenhum, entre outras coisas. Mas, esse lado simbólico que já referi, nem sempre é mau. Mudar, pode causar um sentimento agradável. Começar de novo, permite-nos só levar connosco aquilo que realmente interessa. Essa é a grande vantagem das minhas últimas mudanças, só levo comigo de volta o que realmente interessa e faz falta. E, devo dizer, que cada vez carrego menos "coisas materiais" comigo. Este assunto poderia tornar-se bastante poético, mas não é o que pretendo. Até porque não faço intenções de mudar de casa tão cedo. Digo assim, para não dizer nunca mais, pois não se deve dizer nunca. Desde os catorze anos que ameaço fugir de casa, fugir é um verbo que me acompanha já há bastante tempo. Por exemplo, a minha família e os meus amigos já nem ligam a este assunto. Sim, sim, foge, foge, dizem eles quando tento iniciar o assunto. Também fujo de outras situações, como por exemplo, chamar as coisas pelo nome. Este texto é para a fábrica de letras, sobre o tema fugir, e eu escrevi sobre mudanças. O que é que as minhas mudanças de casa têm a ver com fugir? Podem não ter nada a ver, ainda assim foi o que me apeteceu escrever.

2 comentários:

luisa disse...

Mudanças dão trabalho mas têm o dom da limpeza... Fugir não vale.

Tulipa disse...

fugir tb vale, só às vezes :)