18 de janeiro de 2008

“Quanto mais vivo, mais os seres humanos me parecem fascinantes e cheios de interesse… Tolos e inteligentes, mesquinhos e quase santos, diferentemente felizes – todos são caros ao meu coração.
Parece-me que não os compreendo devidamente e a minha alma é inundada por um interesse inextinguível por eles.
As pessoas que mais admiro são as que são não se realizaram totalmente, as que não são muito sábias, mas um tanto loucas, “possessas”. “Pessoas de mente sã” despertam-me pouco interesse. O Homem realizado, aquele que é perfeito como um guarda-chuva, não exerce qualquer atracção sobre mim. Entendam-me. Sou chamado e mesmo condenado a descrevê-lo. Mas que posso dizer de um guarda-chuva, a não ser que é inteiramente inútil num dia de sol?
Um homem um tanto possesso não só me é mais agradável, como também é inteiramente mais razoável e está em maior harmonia com o ritmo geral da vida, um fenómeno ainda incompreendido e fantástico, que se faz por isso ao mesmo tempo, tão desconcertantemente interessante.”
Máximo Gorki, 1927

1 comentário:

E Agora José? disse...

Muito bom. As pessoas possessas são realmente, bem mais interessantes. O problema é o que move a literatura, nenhuma frase nasce se, mais cedo ou mais tarde, não se transformar em um conflito.